A companheira

1997, faixa do CD Felicidade, Luiz Tatit, Selo Dabliú, São Paulo; 2004, faixa do CD MPB: bossa nova e canções, Dabliú, São Paulo; 2008, faixa do CD e DVD Amigo é Casa, Simone e Zélia Duncan, Rio de Janeiro, Biscoito Fino; 2012, faixa do DVD O Fim da Canção, Tatit, Wisnik e Nestrovski, Sesc-SP; 2013, faixa do CD Ladeira da Memória – afluentes da vanguarda paulista, Tatiana Parra (org. de Carlos Careqa), selo Sesc. 

Eu ia saindo

Ela estava ali

No portão da frente

Ia até o bar

Ela quis ir junto

Tudo bem, eu disse

Ela ficou supercontente

Falava bastante

O que não faltava era assunto

Sempre ao meu lado

Não se afastava um segundo

Uma companheira

Que ia fundo

Onde eu ia

Ela ia

Onde eu olhava

Ela estava

Quando eu ria

Ela ria

Não falhava

No dia seguinte

Ela estava ali

No portão da frente

Ia trabalhar

Ela quis ir junto

Avisei que lá

O pessoal era muito exigente

Ela nem se abalou

"O que eu não souber

eu pergunto"

E lançou na hora

Mais um argumento profundo

Iria comigo até o fim do mundo

Me esperava

No portão

Me encontrava

Dava a mão

Me chateava

Sim ou não?

Não.


De repente a vida ganhou sentido

Companheira assim nunca tinha tido

O que pinta sempre é uma coisa estranha

É companheira que não acompanha


Isso pra mim é felicidade

Achar alguém assim na cidade

Como uma letra para a melodia

Fica do lado faz companhia


Pensava nisso

Quando ela ali

No portão da frente

Me viu pensando

Quis pensar junto

Pensar é um ato tão

Particular do indivíduo

E ela, na hora:

"Particular, é? duvido.

E como de fato

Eu não tinha lá muita certeza

Entrei na dela

Senti firmeza

Eu pensava

Até um ponto

Ela entrava

Sem confronto

Eu fazia

O contraponto

E pronto.


Pensar assim virou uma arte

Uma canção feita em parceria

Primeira parte segunda parte

Volta o refrão e acabou a teoria


Pensamos muito por toda a tarde

Eu começava ela prosseguia

Chegamos mesmo modéstia à parte

A uma pequena filosofia


Foi nessa noite

Que bem ali

No portão da frente

Eu fiquei triste

Ela ficou junto

E a melancolia foi

Tomando conta da gente

Desintegrados

Éramos nada em conjunto

Quem nos olhava só via

Dois vagabundos

Andando assim meio

Moribundos

Eu tombava

Numa esquina

Ela caía

Por cima

Um coitado

E uma dama

Dois na lama


Mas durou pouco

Foi só uma noite

E felizmente

Eu sarei logo

Ela sarou junto

E a euforia

Bateu em cheio na gente

Sentíamos ter toda

A felicidade do mundo

Olhava a cidade

E achava a coisa mais linda

E ela achava

Mais linda ainda

Eu fazia uma poesia

Ela lia e declamava

Qualquer coisa que eu escrevia

Ela amava


Isso também durou só um dia

Chegou a noite acabou a alegria

Voltou a fria realidade

Aquela coisa bem na metade


Nunca a metade foi tão inteira

Uma medida que se supera

Metade ela era a companheira

Outra metade era eu que era

25 de janeiro de 2026
Parceria com Dante Ozzetti, 2013, faixa do CD Embalar, Ná Ozzetti, independente, São Paulo; 2016, faixa do CD Palavras e Sonhos, Luiz Tatit, Selo Dabliú, São Paulo; 2022, faixa do CD Brasilin, Jussara Silveira, Maianga.
25 de janeiro de 2026
1985, faixa do LP Caprichoso, Grupo Rumo, Independente, São Paulo (relançado em CD em 2004).
25 de janeiro de 2026
Parceria com Dante Ozzetti, 2006, faixa do CD Achou!, Ceumar e Dante Ozzetti, MCD, São Paulo.

Vi

25 de janeiro de 2026
Parceria com Flávio Henrique, 2007, faixa do CD Pássaro Pênsil, Flávio Henrique, Biscoito Fino, Belo Horizonte.