Aurora: o cantonovela

1992, faixa do CD Rumo ao Vivo, Grupo Rumo, Selo Camerati, São Paulo (relançado em 2004).

A) Marcando compasso


Oi, estou aqui outra vez

Esperando por ela, esperando

Você lembra como ela era antes?

Você marcava algum encontro

A qualquer hora

Lá estava ela: Aurora!

Você chegava um pouco antes

Dez minutos, meia hora

Estava lá: Aurora!

E que menina dinâmica

De uma pontualidade britânica


Aurora não é mais a mesma

Perdeu seu jeitinho silvestre

Comigo também foi assim

Um desastre!

Isso faz com que todos se afastem


Por que que eu não vi isso antes?


Ver pra quê?

Você crê nos carinhos

Você sempre cai que nem patinho


Você acha que eu fui enganado?


Enganado não digo

Você foi abandonado comigo

Pra mim ela mandou um telegrama

Que me deixou tonto

Dizendo: Tchau, Geraldo, ponto


Por que ela faz isso com a gente?


Esse é um problema pra se resolver

Por que que ela zomba de mim, de você...

Quando ela chegou da sua terra


Era simples, amiga, sincera!


Depois que ganhou malícia

Ficou escolada

Velha de guerra


Ela pisa, maltrata, ela ferra!


O que que isso significa?


Primeiro que ela é bonita


Mas tem mais


Parece uma longa conversa

Mas tudo começa a clarear

É um tema pra ser discutido

Num bar

Pra essas coisas não há outro lugar

Chega de tanto esperar!


Vivemos há tempo

No mesmo compasso

Estamos bancando o palhaço


Chega de tanta esperança!


Vamos embora

Aproveita

Que a noite é criança.


B) Imagine se eu morresse!


Era só o que me faltava!

Ontem mesmo, eu lembro

Nós marcamos neste horário

Ontem marcamos, hoje não vem

E já não é a primeira vez

Que isso acontece

Nem a segunda

Nem a terceira

Isso sempre aconteceu

Eu fico me arrumando

Fico me enfeitando

Corro pra encontrar o meu amor

Ele falta!

Que coisa mais frustrante!

Será que eu não agrado?

Será que eu sou um fracasso

São perguntas que eu faço

Eu sei que eu não sou linda

Deslumbrante

Desse tipo de beleza

Quando chega sai de baixo

Não sou tanto assim

Mas muita gente vive atrás de mim

Por isso eu pergunto

Por que ele faria isso comigo

Se não fosse induzido

Por alguém que está 

Com outro interesse?

E quem é esse alguém?

Por que me deixaria nesse estado

Imagine se eu morresse!

Por quem? Por quem? Por quem?

Ah... agora estou lembrando

Enquanto a gente estava combinando

O nosso encontro

Tinha uma moça 

Bem lá no canto

E tudo agora leva a crer

Que é aquela víbora

Uma tal de Débora

Ou Dinorá, me lembrava "devorar"

Ai que ódio dela!

Eu sinto que foi ela!

Pelo seu olhar

E sua risada amarela

O tempo todo lá de sentinela

E nem era bonita

Também não era feia

Simpática talvez

Daquele tipo sorridente e oferecido

Mas de um jeito meio falso

Que você vê que pega mal

Tinha os seus encantos

Mas nada nada nada de especial

Era assim como eu...

Por que então

De duas iguaizinhas

Ele escolhe uma delas

E justamente essa aí não sou eu?

É isso que me grila

Por que que vira e mexe

Eu estou na mesma

E não sei o que aconteceu?

Por quê? Por quê? Por quê?


C) Tempo e espaço


E olha

Eu ainda disse pra ela:

Escolhe o horário, escolhe

Escolhe um horário bem bom pra você

Então ela marcou às nove horas

"Um pouco cedo", eu falei

"Às onze"

E ela mais que depressa

Muito educada, sem fazer pose

Está ótimo! Às onze!

Daí eu que me senti mal

Então fica mesmo pras nove

E tá legal!


Pra mim tudo está esclarecido

Não passa de um erro primário

Você foi às nove, ela às onze

Foi o horário

Não foi nada de extraordinário


Então ainda resta uma chance


Corre depressa

Está em cima da hora

Só falta a Aurora ir embora


Meu Deus! Como estou emocionado!


Deixa eu ir junto

Coitado! Você está é pirado


O que que há agora?

Não sei porque

Que eu permaneço aqui

Não vou-me embora

Deve ser mágoa

Mágoa que aflora

Pois eu marquei com ele aqui

Por ser tranquilo

Aconchegante

Pouca luz

E esse barzinho aí em frente

Mas que barzinho em frente!

Que aconchegante!

Não estou vendo nada

Deve ser mais adiante

Na certa eu parei um pouco antes

Também é tudo igual

É muito parecido

A gente acaba se enganando

E agora o que que eu faço

Eu vou correndo

Pode ser que inda dê tempo

Eu não posso vacilar

Ele tem que estar lá

E olha que eu cheguei a desconfiar

Mas deixa pra lá

No fundo eu já sabia

Que jamais ele faria isso comigo

Quer com Débora ou qualquer Dinorá 

No fundo eu já sabia

No fundo eu já sabia que um dia

Tudo ia melhorar

Eu já, eu já, eu já.


D) Aurora namora


Olha Geraldo

Quem vem vindo lá

Essa é a Aurora

Que eu quis te falar

Veja! Ela está como ela era


Simples, amiga, sincera!


Você disse que ela já era

Que está numa outra

Toda mudada


Está nada! Está nada!


É sempre a mesma Aurora

Que se emociona e namora

Como agora

É hora de muita alegria

Agora é Aurora de fato

O encontro foi muito bonito

Um barato!

Um encontro do balacobaco


E fomos felizes pra sempre!


Sim, felizes

Nós e Aurora

Foi tudo uma grande vitória!


O que você está me dizendo?


Pensa um pouquinho

Aos poucos você acaba entendendo.

25 de janeiro de 2026
Parceria com Dante Ozzetti, 2013, faixa do CD Embalar, Ná Ozzetti, independente, São Paulo; 2016, faixa do CD Palavras e Sonhos, Luiz Tatit, Selo Dabliú, São Paulo; 2022, faixa do CD Brasilin, Jussara Silveira, Maianga.
25 de janeiro de 2026
1985, faixa do LP Caprichoso, Grupo Rumo, Independente, São Paulo (relançado em CD em 2004).
25 de janeiro de 2026
Parceria com Dante Ozzetti, 2006, faixa do CD Achou!, Ceumar e Dante Ozzetti, MCD, São Paulo.

Vi

25 de janeiro de 2026
Parceria com Flávio Henrique, 2007, faixa do CD Pássaro Pênsil, Flávio Henrique, Biscoito Fino, Belo Horizonte.