1992, faixa do CD Rumo ao Vivo, Grupo Rumo, Selo Camerati, São Paulo (relançado em 2004); 1994, faixa do CD Vanguarda da Música Popular Brasileira, Audio News Collection, Vol. 5; 1996, faixa do CD Mundo São Paulo, Orquestra Jazz Sinfônica, Sesc/PUC-SP; 2000, faixa do CD O Meio, Luiz Tatit, Selo Dabliú, São Paulo; 2007, faixa do DVD Rodopio, Luiz Tatit, Dabliú; 2013, faixa do DVD Totatiando, Zélia Duncan, Zulu Filmes / Duncan Discos.

Cara de palhaço

Pinta de boneco

Pula o tempo todo

Não dá nem uma parada

Parece até ligado

Na tomada

Todo emocionado

Com a própria brincadeira

Qualquer coisinha cai

Na choradeira


Uns dizem que é homem

Outros que é mulher

Dizem que é velho

Por isso pinta a cara

Pinta porque é moço

Pinta porque é velho

Pinta porque é macho

Pinta por capricho

Não é por nada disso

Não é homem, não é mulher

Ele é um bicho


E ele passeia, passeia

Passeia como se fosse um turista

E cumprimenta todo mundo

Que frenqüenta a Bela Vista

E mesmo que ele esteja sem dinheiro

Dá uma passadinha nos botecos de Pinheiros

Chega com uma cara que dá pena

Mas é gente muito boa

Lá da Vila Madalena

Sempre sobra um copo uma cerveja

Fica tão contente

Mas não quer que ninguém veja

Então procura o centro da cidade

Na Liberdade


Lá ele aparece algumas vezes

Lá os seus amigos são chineses

Canta umas canções em pot-pourri

E o pessoal morre de rir

E no fim da noite

D o último giro

No Bom Retiro


Meio delirante

Meio inconseqüente

Muito colorido

Um destaque na paisagem

É toda uma figura

Um personagem

Não adianta perder tempo

Desprezando a sua imagem

Pois nunca ele ligou

Pra essas bobagens


Corpo de moleque

Corpo de borracha

Todo amolecido

Dobra tudo

Nada racha

Dizem que é um esboço

Que é alguém de carne e osso

Dezem que é um colosso

Por dentro e por fora

É gente como a gente

A gente sente

Pois se aperta ele chora


E ele vagueia, vagueia

Vagueia como se fosse um cachorro

Avança, volta um pouco

Chegando até Socorro

Lá ele não conhece muita gente

Então pega a Marginal, o Joquei Clube

E segue em frente

Gosta de entrar um pouco na USP

Gosta de sentir que é estudante

Mesmo que não estude ele embroma

Com tanta perfeição

Que sempre sai com um diploma

E vem pra casa então todo feliz

Em Vila Beatriz

Tem os seus horários de paquera

Tem o seu lugar no Ibirapuera

Tem o seu amor em Santo Amaro

Que ele encontra pelo faro

E tem um gosto todo muito próprio

E muito raro


Balança a cabeça

Mexe o coração

Passa pela Penha

Pela Lapa pelo Brás

E já não sabe bem mais

O que faz

Todo envergonhado

Quando encontra uma criança

Perde o rebolado 

Sempre dança


Tido como louco

Fala muito pouco

Pula, gesticula

Flexível, inquebrável

Vai ver que ele é amável

Vai ver, é provável

Vai ver que ele é uma fera

Vai ver que ele devora

Vai ver que cê chegando

Bem pertinho, dando um sopro

Ele evapora

25 de janeiro de 2026
Parceria com Dante Ozzetti, 2013, faixa do CD Embalar, Ná Ozzetti, independente, São Paulo; 2016, faixa do CD Palavras e Sonhos, Luiz Tatit, Selo Dabliú, São Paulo; 2022, faixa do CD Brasilin, Jussara Silveira, Maianga.
25 de janeiro de 2026
1985, faixa do LP Caprichoso, Grupo Rumo, Independente, São Paulo (relançado em CD em 2004).
25 de janeiro de 2026
Parceria com Dante Ozzetti, 2006, faixa do CD Achou!, Ceumar e Dante Ozzetti, MCD, São Paulo.

Vi

25 de janeiro de 2026
Parceria com Flávio Henrique, 2007, faixa do CD Pássaro Pênsil, Flávio Henrique, Biscoito Fino, Belo Horizonte.