Terra à vista
Parceria com Dante Ozzetti, 2001, faixa do CD Ultrapássaro, Dante Ozzetti, Eldorado, São Paulo.
Sempre vem
No mês de abril
Diz que descobriu o Brasil
Não é só
São Paulo e Rio
Já conhece o imenso vazio
Ali depois do ponto
Em que se diz que
Tudo acabou
E que no seu
Entendimento
Tudo só começou
Deixa o frio
E vem vadio
Pra pegar uma cor no Brasil
Vem por mar
Vem de navio
Troca então o mar pelo rio
E vai de barco até sentir
Que dá pra andar sobre o chão
E seu caminho é muito longo
Para além do sertão
Chega enfim
No tal vazio
Diz que é o coração do Brasil
Faz um som
Um assobio
Sente então um forte arrepio
Ali o dia dura todo
O tempo que precisar
E toda noite você jura:
Nunca mais vai clarear
Mês de abril
Ano dois mil
Ninguém mais viu
Só se ouve agora o assobio
Sim!
Pássaro copia o que ouviu soar
Mês de abril
Ano dois mil
Ninguém mais viu
Só ficou no morro o seu perfil
Sim!
Morro só copia quem viveu por lá
Mês de abril
Ano dois mil
Ninguém mais viu
Só deixou pra terra um elogio
Sim!
Só uma “terra à vista” pode se mostrar